Balneário Camboriú será campo de estudo de uma metodologia que avalia os impactos dos arranha-céus sobre o ambiente urbano. A pesquisa, apresentada em uma conferência internacional em Nova Iorque, propõe analisar não apenas a altura dos prédios, mas também os efeitos das construções sobre o entorno, como sombras, incidência solar e preservação de vistas.
O trabalho foi apresentado pelo arquiteto Luís Henrique Bueno Villanova, responsável pela área de urbanismo e arquitetura da Talls Solutions, consultoria do Grupo FG, durante a conferência ACSA Intersections – Urban Design Matters.
Desenvolvida durante seu doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a metodologia usa modelos digitais tridimensionais para simular diferentes projetos antes da construção. “Altura e impacto urbano não são necessariamente sinônimos. Duas torres com áreas construídas ou alturas semelhantes podem produzir efeitos bastante diferentes dependendo da implantação, da volumetria, dos afastamentos e das construções vizinhas”, explica Villanova.
BC será laboratório da pesquisa
A próxima etapa será aplicada em Balneário Camboriú, onde a concentração de edifícios altos e a valorização imobiliária oferecem condições para testar a metodologia.
Segundo Villanova, a cidade já foi dividida em áreas com características semelhantes, chamadas de clusters, principalmente na região central. O estudo vai identificar terrenos com potencial construtivo e avaliar alternativas considerando o Plano Diretor e a lei de microzoneamento.
Após o mapeamento, a pesquisa avançará para estudos de viabilidade e diretrizes de desempenho urbano. “Queremos entender como essas ferramentas podem ajudar a avaliar alternativas ainda na fase de projeto e melhorar a relação dos edifícios com a cidade”, afirma Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls Solutions.
A proposta é contribuir para que o crescimento vertical considere não apenas o aproveitamento imobiliário, mas também a qualidade dos espaços urbanos e a relação dos edifícios com a cidade.
Trabalho foi apresentado pelo arquiteto Luís Henrique Bueno Villanova (Divulgação)